Seção Humor, Ciência e Educação
selecionado, adaptado e traduzido por:
L. Jean Lauand
(FEUSP-FFLCHUSP)TÉCNICAS DE DEMONSTRAÇÃO
As técnicas usuais de demonstração em aula são freqüentemente inadequadas porque insistem em trabalhar com o conceito de verdade. Ora, quando se trata de objetivos práticos - como no caso da Química e da Engenharia Química -, há métodos mais apropriados que - por serem pouco conhecidos - não têm sido empregados pelos professores. Nesta seção apresentamos alguns desses métodos de demonstração:
Demonstração "no grito":
Basta empregar, durante a demonstração, expressões como: "evidentemente...", "qualquer idiota percebe que...", "facilmente mostra-se que etc."
Demonstração por sedução:
"Basta concordar com essa passagem e já está garantida a próxima prova..."
Demonstração por intimidação:
"Quem não aceita que está suficientemente demonstrado, vai ter problemas na próxima prova..."
Demonstração por interrupção:
Interrompa continuamente o aluno que está objetando, até que ele desista!
Demonstração por ofuscação:
Valha-se de uma longa lista de lemas...
Demonstração por confusão:
É uma forma mais refinada da anterior. A longa lista de lemas deve ser apresentada em uma estrutura de pensamento circular ou em árvore...
Demonstração por exaustão:
É uma variante do método indutivo. Em vez de generalizar a partir da prova de um caso concreto; estenda a prova para um segundo caso; um terceiro, um quarto etc. até n suficientemente grande, em que os alunos caiam em estado de sono profundo.
Demonstração por paixão:
O professor deve se entusiasmar durante a demonstração: sua vibração externando-se no modo de olhar, no calor da voz e no vigor dos movimentos.
Demonstração por exemplo:
O professor demonstra para n=2 e indica que nessa demonstração já se encontram claramente os elementos para o caso geral.
Demonstração por intimidação:
"Nem precisa demonstrar porque é trivial"
Demonstração por gesticulação veemente:
Funciona bem em ambiente de seminários.
Demonstração por obstrução:
Utiliza símbolos provenientes de 4 alfabetos, além de signos especiais.
Demonstração por exaustão:
Mandar ler dois volumes de revistas dedicadas especialmente a esse resultado.
Demonstração por omissão:
As passagens intermediárias ficam como exercício para os alunos. Os outros 253 casos são análogos.
Demonstração pelo cansaço:
Uma longa lista de passagens (verdadeiras e/ou sem sentido sintaticamente) sem nexo.
Demonstração por agências financiadoras:
"Esse resultado procede de uma pesquisa financiada pela FAPESP, CNPq e CAPES".
Demonstração por Bibliografia Inacessível:
Cfr. Proceedings of the "Realov Sociedadeski Croatsky Kimicov", 1883, v. 7a, passim.
Demonstração por Relevância:
Desse teorema dependem diversos processos realmente utilizados em fábrica.
Demonstração por evidência acumulada:
Após meses de pesquisa não se conseguiu encontrar nenhum contra-exemplo.
Demonstração por mútua referência:
Na referência A, o teorema 5 decorre do Teorema 3 na referência B, tal como mostra o corolário 6.2 na referência C, que é uma conseqüência imediata do Teorema 5 na referência A.
Demonstração por figura:
Uma forma mais convincente da demonstração por exemplo. Ajusta-se bem à demonstração por omissão.
Demonstração por referência fantasma:
Nem sombra do teorema aparece na referência dada.
Demonstração por afirmação veemente:
É útil quando se tem autoridade sobre o auditório.
Demonstração por "mais adiante":
A demonstração está num trabalho do professor que deve sair publicado em breve (claro: não antes do fim do curso)
Demonstração por guinada semântica:
Algumas definições são mudadas "ad hoc" para que se possa demonstrar o resultado.
Demonstração pelo apelo à intuição:
Neste caso, desenhos ambíguos ajudam muito.
Demonstração objetiva:
Uma figura vale por mil palavras; um objeto vale por mil figuras; portanto, um objeto vale por um milhão de palavras.
(Traduzido e adaptado de "Proof Techniques" de Armen H. Zemanian, publicado in The Physics Teacher, May 1994, que se recolhe em http://www.dinosaur.u-net.com/database /humour/jokes.htm)