Entrevista - Hassan Masoudy

(Entrevista, tradução, notas e edição: Aida R. Hanania)

 

 

ARH: Gostaria que nos falasse um pouco sobre a arte milenar da Caligrafia e sobre como descobriu sua tendência artística.

H.M.: Eu era calígrafo no Iraque, onde nasci. Desde pequeno, interessava-me por caligrafia, mas só aos 17 anos comecei a dedicar-me profissionalmente a esta arte. Trabalhei durante oito anos em Bagdad como calígrafo. Na época, eu fazia uma caligrafia muito simples, como todos os calígrafos de lá: a maior parte trabalha para a publicidade, para as gráficas e conhece alguns estilos...

         Este é o estado do calígrafo atual. O calígrafo antigo, que fazia pesquisas e era artista, praticamente desapareceu no fim do Império Otomano, no começo deste século. E a Caligrafia hoje, no Mundo Árabe e islâmico em geral, está reduzida a um trabalho de grafismo para fins utilitários. Há alguns artistas, em cidades como Bagdad, Cairo e Istambul, como também os há no Iran, que fazem Caligrafia em estilo clássico, isto é, seguem um pouco o método antigo, mas eles não têm – ou têm poucas – encomendas e isto não estimula os jovens a fazerem pesquisa em Caligrafia.

         Em outras palavras, os calígrafos que seguem o método clássico – pouco numerosos e que não recebem encomendas importantes – são quase marginalizados, porque a Caligrafia exige muito tempo, pois, para fazer pesquisas, para realizar uma caligrafia, é preciso estar imbuído de uma determinada atitude, que requer tempo, e a época de hoje não permite isso. Além do mais, a Caligrafia clássica não é rentável.

         Os calígrafos de nosso tempo, portanto, puseram-se a trabalhar, como disse, em atividades utilitárias: voltadas para a publicidade e para as gráficas.

         Eu sempre tive vontade de ser artista e determinei-me a isso. Decidi vir a Paris para estudar Arte. Cheguei aqui há vinte e quatro anos, em 1969, e ingressei na Escola de Belas Artes, onde estudei durante quatro anos. Obtive o diploma superior de Artes Plásticas e, nessa ocasião, não pude retornar ao Iraque, porque o país atravessava uma fase difícil; acabei, por isso, ficando em Paris.

As-Salam - A paz.

Salam - Paz.

         Aqui, senti que a pintura que eu estava fazendo não correspondia a uma necessidade interior, não chegava a exprimir o meu eu. Então – pensei –, por que não retomar a caligrafia que eu praticava no Iraque e compor, com ela, quadros? Porque eu via que era muito apreciada a caligrafia que os chineses traziam a Paris, como também a pintura abstrata que era influenciada pela caligrafia chinesa. Comecei, então, a fazer paisagismo com a caligrafia. Desenhava personagens com letras ou escrevia palavras que terminavam por evocar imagens e, depois, aos poucos, fui simplificando: fiz uma depuração de formas e terminei por introduzir gestos que continham muita energia e muita força, o que para mim era suficiente.

         Não havia necessidade de fazer imagens e agora, cada vez que tenho vontade de caligrafar uma frase, tomo uma palavra e vejo o que há dentro dela: linhas retas, curvas, o álif, o ba, o ha, o iá... e penso em construir alguma coisa; faço croquis.

Conhece-te a ti mesmo

         Às vezes, quando estou no campo, sou influenciado pela natureza e o que faço assemelha-se às árvores; quando estou numa cidade, assemelha-se a uma arquitetura; são formas, pois, muito construídas e é assim que encontrei uma maneira de me exprimir e de criar frases, o que satisfaz um pouco a necessidade que tinha no início.

         Porque, estando aqui... eu... tenho necessidade de reencontrar minhas raízes, e encontro o meu mundo interior na Caligrafia, que se tornou uma pátria para mim. Habito dentro dela todo o tempo. Estou sempre retornando para "dentro".

         Para fazer caligrafias em tamanho grande, concluí que necessito das cores. Para ingressar na dimensão cromática, voltei-me para as mesquitas de minha infância no sul do Iraque. Elas eram coloridas de azul, coloridas de cerâmica ou de cor de terra. E, assim, fiz as cores que tinha na lembrança...

         Tudo isso, sobretudo aqui no Ocidente..., tudo isso me ajudou a viver, a continuar a viver e, sabe, dei-me conta de que há outros, há muita gente que vê esta arte e a aprecia. Eu diria que a Caligrafia responde mesmo a uma necessidade, a uma necessidade artística profunda.

         Por tudo isto, concluí que era necessário não só estudar bem a caligrafia, mas também tentar dizer o que a Caligrafia é[1].

         Assim, tentei compor como que um museu imaginário, todo meu, baseado no que existe em termos de Arte Caligráfica nos vários museus. Visitei o Cairo, Istambul... cidades onde existe muita caligrafia nos museus e nos monumentos. Fui colecionando documentos sobre o que existe de caligrafia árabe interessante no mundo inteiro, até que um dia me perguntei por que não organizar um livro com todo este material. E foi então que, em 1980, escrevi meu primeiro livro, Calligraphie Arabe Vivante , que rastreia a técnica, a estética e o social de alguns calígrafos antigos. Isto deu base para minha pesquisa e, assim, percebi que se pode produzir alguma evolução no estilo de caligrafia tradicional. Comecei a lapidar os instrumentos, o cálamo...[2], como costumavam fazer os antigos, embora buscando mudá-lo um pouco.

         Valho-me, pois, dos instrumentos – como tradicionalmente são utilizados, talhados para caligrafar –, que produzem algo que se assemelha à caligrafia clássica. Mas, se você prestar bem atenção, verá que a estrutura dos trabalhos não é exatamente a mesma: há novidades. Novidades que advêm da transformação do instrumento (por isso, no curso, insisti tanto com vocês em aspectos importantíssimos – insuspeitados para o leigo – como o instrumento e toda a técnica de produção do instrumento). O instrumento que eu ampliei diretamente.

         Os calígrafos antigos, para grandes caligrafias, faziam o desenho com o lápis e preenchiam o espaço com o pincel: não são nunca, diretamente, caligrafias grandes. Já a caligrafia grande, feita diretamente, que eu introduzi, utiliza um cálamo de um dedo de diâmetro. Tomo um pedaço de madeira como se fôra caniço e o preparo com ponta de 20 cm. Então, posso caligrafar em ponto grande, com o mesmo vigor da escritura árabe, exatamente como se fazia com os pequenos cálamos. Essa mudança no instrumento permitiu outra expressão caligráfica, próxima da pintura abstrata, ocidental.

ARH: Parece que a Caligrafia, no início, era sempre associada a sentenças corânicas e, a partir de um certo momento, creio que somente foi considerada a beleza plástica. Em sua trajetória pessoal, que evolução se processou?

H.M.: Quando se contempla a História da Arte – porque sempre enfoco as questões a partir da História da Arte – vê-se que, desde sempre, os seres humanos fizeram imagens, signos. E, à medida que a civilização vai avançando, vamos encontrando modos peculiares de expressão artística. Consideremos, por exemplo, o Egito antigo. Os egípcios fizeram esculturas, fizeram imagens e fizeram caligrafia também: na época, eles não tinham alfabeto, mas signos; entretanto, vê-se o plano estudado, as concepções de um signo. Parece-se um pouco com a caligrafia islâmica, que surgiu mais tarde. E na caligrafia islâmica, vê-se que, no início, tudo era muito simples, muito rudimentar, sobretudo nos primeiros trabalhos; pense-se, por exemplo, no estilo Kufi... O contato com outras civilizações foi enriquecendo essa arte; os iranianos, os turcos, os indianos, os africanos... Cada civilização, cada povo, cada etnia contribuiu com algo e ampliou a utilização da caligrafia sobre monumentos, com suportes diversos, trazendo outras variedades do ponto de vista estético.

Salam - Paz

         Então, na origem há – como você bem lembrou – um texto corânico, e o calígrafo é incumbido de escrevê-lo de maneira magnífica. E é assim que os calígrafos começam a fazer pesquisas...; mas, quando se analisa bem a História da Caligrafia Islâmica, descobre-se que em cada século houve mudanças. As mais belas caligrafias encontram-se entre os otomanos. E não há somente textos corânicos: descobre-se, por exemplo, que os decretos (firmanes) eram caligrafados em estilo diwani, que havia o sinete real, as cartas enviadas ao estrangeiro, a assinatura do sultão; há alguma coisa de profano em tudo isso. As assinaturas dos sultões (turrat) eram caligrafadas de maneira magnífica. Encontram-se nos museus, cada uma diferente da outra; e há ainda, poesia caligrafada; livros científicos caligrafados...

         Há, por exemplo, na Bibliothèque Nationale de Paris, um livro de Galeno, que foi caligrafado no século XI em Bagdad, onde cada linha é uma obra prima em estilo Kufi. Em meu Calligraphie Arabe Vivante, reproduzo uma página, em cores, deste livro. Houve, como dizia, em cada século, mudanças. Estas mudanças eram muito mais permitidas no domínio profano ou científico.

Nada mais elevado do que o saber.

No meu caso, compreendi a liberdade na arte de uma maneira muito pessoal: eu – pensei – encontro-me na Europa; por que não tomar pensamentos da humanidade inteira e por que não tomar pensamentos tanto do passado como do presente? Tive sempre amigos à minha volta, que são poetas. Caligrafei suas frases; caligrafei sentenças muito belas, ditas por personalidades universais: há sentenças gregas, francesas, holandesas, chinesas etc. Sinto-me bem com estes pensamentos. Por que não tomá-los todos?

         E o fato de viver em Paris, sou pintor, faço o que me agrada... Pode haver, evidentemente, outros calígrafos na Turquia, no Iraque, no Egito... que continuam só com as frases religiosas, mas modernizadas também (há tentativas assim no Mundo Árabe).

O sol não se importa de passar por pequenas janelas (Frederik Van Eeden)

ARH: E quanto à pintura "caligráfica" (destituída de seu valor semântico), pode-se dizer que seria a precursora da Arte Moderna?

H.M.: Há um movimento que não se pode negligenciar. Até o começo deste século, estávamos fechados em nossa cultura e o Império Otomano não permitiu aberturas. Contudo, com a chegada de Napoleão ao Egito, com a abertura para o Ocidente, muitos artistas foram influenciados pela pintura ocidental e acabaram por copiar os mesmos métodos. Num dado momento, porém, perceberam que isso não correspondia a uma necessidade real deles. Nesse sentido, o movimento de arte moderna árabe que utiliza letras é importante, porque está à procura de um caminho que corresponda a uma necessidade pessoal e local. Caminho que enriquece a pintura universal, pois a cópia, digamos, de surrealistas ou cubistas, por um árabe, que enriquecimento representa para a pintura universal?

         Quando apresentamos nossa contribuição, nossa verdadeira contribuição, o público, aqui no Ocidente, vê e fica maravilhado. Por isso, creio que esse movimento é muito importante; chegou-se, porém, a um ponto onde há um impasse: por que utilizar o mesmo material de pintura[3], o mesmo suporte tecnológico do Ocidente que, afinal, inventou a pintura? No Oriente, sempre se usou água, a água e o papel. Sinto que a água e o papel são ainda melhores: ganha-se algo mais em termos de autenticidade.

         E eu, afinal, sou calígrafo... Por que então não utilizar palavras legíveis? E mesmo que não sejam legíveis, eu sei que estou escrevendo palavras, frases... e isso é já uma distinção da arte caligráfica, porque, ao contrário dos pintores abstratos, posso fazer uma dupla arte, como que uma junção de duas artes: a pintura e a poesia, uma pintura poética ou... uma poesia pictórica.

         Todos os pintores abstratos, colegas meus na Escola de Belas Artes, faziam pintura gestual, mas eu punha palavras no interior... Ao inserir palavras, sinto que minha arte pode dialogar com o literário, tornando-se mais ampla.

ARH: Notei que há frases escritas de diversas maneiras. Como isto se dá?

H.M.: De fato, é um fenômeno curioso: um dia, a caligrafia que faço de determinada frase, resulta alegre; no outro, a caligrafia da mesma frase resulta triste...

         Também ocorrem, às vezes, certas decepções: admiro certo personagem e caligrafo uma frase sua. Mais tarde, ao conhecer melhor sua personalidade, ou ao deparar-me com certas declarações suas, fico perplexo, pois não compreendo como alguém que eu acreditava puro, possa revelar um lado tão negativo. Volto, então, à sua frase e a "quebro", brigo com ela...

         Notei que tanto a atmosfera trágica como a feliz atinge as pessoas. No início, a caligrafia, para mim, tinha de ser algo de belo, de elegante, com traços muito sensuais. Descobri, porém, que quando estou irado e exprimo de modo justo meu sentimento, também isso toca as pessoas. Vejo então, que as rupturas que realizo não são aleatórias: tento quebrar a forma para lhe descobrir outra variedade e quando há verdade no traço, as pessoas se emocionam.

ARH: Como os ocidentais sentem sua arte, para eles, tão diferente?

H.M.: Tudo que faço parte de uma necessidade; não penso, ao realizar um trabalho, que vou expô-lo, que vou mostrá-lo... Cheguei a trabalhar em centenas, milhares de papéis, enchi páginas e páginas..., preenchi cartões... que nunca mostrei a ninguém. Quis que fossem como uma terapia para mim...

         Quando mostrava privadamente meus trabalhos, perguntavam-me porque não os exibia. À medida em que insistiam, comecei a enviar obras para exposição e percebi que pessoas que não me conheciam e nem tampouco a arte a que me dedico, escreviam artigos muito elogiosos a respeito de meu trabalho. Tenho tido uma apreciação crítica extremamente positiva. Percebo que há um grande interesse em relação ao que faço; há um olhar atento que procede tanto de orientais como do público ocidental. Há pessoas de origem árabe que vêem que a obra corresponde a sua cultura, gostam dela e a admiram e há um público ocidental maravilhado por descobrir algo diferente do que vê habitualmente.

ARH: Como vê o futuro desta arte dentro e fora do Mundo Árabe?

H.M.: No decorrer do curso, você notou que a caligrafia exige-nos muito tempo e, além disso, uma atitude permanente de concentração no trabalho. Lida-se com uma coisa de cada vez. Para se assimilar determinado alfabeto inteiro, é preciso trabalhar alguns meses. Para assimilar outro, de estilo diverso, são necessários mais alguns meses. Quando se pensa na utilização de instrumentos diferentes, maiores, pensa-se em outros tantos meses de aprendizagem, o mesmo acontecendo com o emprego adequado das cores, etc.

         Em virtude do imenso tempo de dedicação que a caligrafia exige não há hoje, no Mundo Árabe, muitas pessoas que dela se ocupem. Busca-se um ofício "moderno". Os pais querem que seus filhos sejam médicos, engenheiros... O trabalho artístico não é compreendido. Há falta de atividade cultural no Mundo Árabe e Islâmico. No passado, a arte da Caligrafia foi a mais respeitada. Hoje, há uma inversão total de valores e um drama muito nítido: num certo momento, como dizia, copiamos a arte do Ocidente e descobrimos que ela não corresponde a nossas necessidades. Ao mesmo tempo, há, por vezes, um desprezo pelo passado, porque, na verdade, não soubemos apresentar para nossa juventude nossa autêntica arte, nossa cultura.

         Não temos, entretanto, um parâmetro moderno, apenas parâmetros do passado. Se os responsáveis pela cultura no Mundo Árabe não pensarem seriamente nela, o impasse continuará, comprometendo mesmo a paz social. Deve-se estimular pesquisas modernas em todos os sentidos (não penso somente na Caligrafia, a arte mais árabe e mais presente; refiro-me a todos os meios de expressão cultural: o canto, a dança, a música...). Tudo deve ser modernizado, mas com profundidade, encorajando as pessoas com revistas especializadas, sérias. O ser humano tem necessidade de ser estimulado em suas diversas atividades: arquitetura, poesia, tapeçaria, moda... Se fizermos pesquisas densas, haverá um encontro do moderno com o passado, no que este tem de autêntico, hoje e sempre, no plano cultural, com repercussão até no plano econômico, pois agora compra-se tudo no Ocidente, copia-se tudo do Ocidente... Todos usam gravatas, roupas ocidentais... As pessoas "progridem" à medida em que se "modernizam", isto é, pretendendo imitar formas e modos ocidentais... E o fato é que nunca alcançamos o Ocidente... Mas, se não nos compete alcançá-lo..., se não nos interessa copiá-lo... O que sim importa é um progresso a partir do reencontro conosco mesmos... E aí alcançaremos o Ocidente, mas num outro sentido, legítimo, de maneira paralela, fiéis a nosso próprio modo de ser...

ARH: A seu ver, o problema da arte está no quadro das preocupações institucionais do Mundo Árabe?

H.M.: Sem dúvida! Mas eis aí mais um drama do Mundo Árabe atual. As camadas economicamente favorecidas estão muito bem, viajam, alimentam-se de um relacionamento universal muito amplo, mas o povo, não. Há um grande espaço entre a cúpula e a base. Creio que você e eu, que estamos distanciados, podemos ver isso, mas os responsáveis pelos destinos dos árabes, de modo geral não se dão conta de que a cultura tem relação com a economia, com o quadro social, com o progresso e, repito, com a paz social...

         Que fazer? Talvez seguir o que diz um provérbio chinês que caligrafei certa vez: "Em lugar de amaldiçoar as trevas, acenda uma pequena lanterna".



1. A propósito desta afirmação, aparentemente tão simples, cabe aqui uma observação – familiar para a Filosofia da Arte – sobre a dialética: obra de arte/consciência do artista. Como aluna e leitora de Massoudy, sempre pude constatar a simbiótica união: talento artístico/consciência filosófica (em elevado nível, nos dois casos), tão escassa nos artistas plásticos. Como se sabe: "É raro que um artista tenha clara consciência do alcance filosófico de sua arte: um pintor pinta e não filosofa. Por mais profundo que seja o nível de realidade que sua sensibilidade estética atinja, ela não chega, em geral, a passar pela consciência reflexiva: transforma-se diretamente em cor, forma, figura, luz... E tal constatação, empírica, não chega a surpreender: a reflexão filosófica lida com conceitos; a arte, com formas sensíveis e concretas. No entanto, há casos excepcionais de pintores (e é bem o caso de Hassan Massoudy – Nota da Edit.) que rompem o circuito: realidade – sensibilidade – obra de arte. Ampliam-no: realidade – sensibilidade – obra de arte – consciência reflexiva" (in L. J. Lauand. Filosofia, Educação & Arte, p.65, São Paulo, IAMC, 1988). Até mesmo seu olhar – duplamente atento – revelava a profunda consciência da arte que suas mãos produziam e como que nos conduzia, a nós, alunos – para além do mero domínio da técnica – a dimensões outras: a esse "país" tão dele – e, por participação, também tão nosso – onde era a própria Arte que nos falava, através da cálida voz de Massoudy. Ao final do curso, deixou-nos a mensagem, tão plena de verdade: – Désormais, vous ne serez jamais les mêmes vis-à-vis de l'Art...
2. O instrumento a que o artista se refere, é originariamente o caniço, cuja ponta é trabalhada, para torná-lo apto à arte caligráfica.

[3] Neste contexto, o entrevistado inclui no significado da palavra pintura as elaboradas técnicas de produção dos materiais, em contraposição às singelas tinturas naturais do Oriente.